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POLÉMICA CARNE DE VACA - OPINIÃO

Finalmente deram ouvidos às ideias progressistas e às mais modernas tendências.
Foi a mais antiga Universidade Portuguesa (e uma das mais antigas da Europa), a pioneira.

Com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica em 2030, o Reitor da Universidade de Coimbra achou por bem começar por acabar com a carne de vaca nas cantinas, informando que será substituída por nutrientes que “ainda vão ser estudados”.

Esta é só uma de várias medidas prometidas, mas foi sem dúvida a que causou maior polémica. O Reitor quer também substituir os kits de receção dos novos estudantes (atualmente em plástico), evitar o desperdício alimentar, colocar ecopontos nas residências universitárias, incentivar os estudantes a plantar árvores, colocar painéis fotovoltaicos e lá bem no fim da lista…. alterar (não fala em eliminar) o tráfego no Polo I.

Curiosamente, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica (RNC 2050) considerou os transportes a segunda maior fonte de emissão de Gases com Efeito de Estufa em Portugal. E a Agricultura em geral (não propriamente a Pecuária), como a quarta fonte de emissão destes gases (numa lista de seis). Mas o Senhor Reitor decidiu começar logo pelo fim.

Para além da ineficiência demostrada na suposta persecução de um objetivo nobre, que é de facto o atingir a neutralidade carbónica, o Senhor Reitor veio, sem qualquer base científica, atacar uma atividade económica que se revela rentável e que promove o povoamento do interior do país, e das zonas rurais onde se vive o drama do despovoamento.

Não revelou qualquer preocupação em relação a uma área de pastagens que ocupa mais de 50% da Superfície Agrícola Útil em Portugal: 1.900.000 hectares, destinados ao pastoreio de gado ruminante e que ficaria sem uso com o desaparecer desta atividade. Ignorou ainda os benefícios decorrentes da pecuária extensiva em Portugal, que assenta em pastagens biodiversas que, para além da importante fonte de biodiversidade vegetal (como o próprio nome indica), constituem habitat para fauna essencial à manutenção da fertilidade do solo.

Basta andar no meio do gado para ver que no campo não há só vacas. Para além dos evidentes “carraceiros”, existem inúmeros vertebrados e invertebrados que encontram abrigo e alimento nas pastagens, bem como os imprescindíveis microrganismos do solo, essenciais para a manutenção do ciclo do carbono.

Esta ocupação cultural constitui não só um evidente sumidouro de carbono (uma vez que as pastagens fixam mais carbono do que aquele que é emitido pelos animais), mas tem também um papel importante ao nível do solo, na medida em que assegura a cobertura do mesmo, promovendo a retenção da água (que não se perde por escorrimento) e evitando a erosão.

Quem se preocupa realmente com o ambiente, com alterações climáticas e com bem-estar animal, devia defender e não atacar este setor. A vontade de estar avant-garde e em cima do progresso pode, muitas vezes, “tapar o sol com a peneira” e distorcer princípios que, apesar de enraizados na nossa cultura, estão corretos e são afinal muito atuais.

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